segunda-feira, 7 de março de 2016

Óculos | O Nome da Rosa - Umberto Eco

Guilherme enfiou as mãos no hábito, onde este se abria no peito formando uma espécie de sacola, e de lá tirou um objeto que já vira em suas mãos e no rosto, no curso da viagem. Era uma forquilha, construída de modo a poder ficar sobre o nariz de um homem (e melhor ainda sobre o dele, tão proeminente e aquilino), como um cavaleiro na garupa de seu cavalo ou como um pássaro num tripé.

E dos dois lados da forquilha, de modo a corresponder aos olhos, expandiam-se dois círculos ovais de metal, que encerravam duas amêndoas de vidro grossas como fundo de garrafa. Com aquilo nos olhos, Guilherme lia, de preferência, e dizia que enxergava melhor do que a natureza o havia dotado, ou do que sua idade avançada, especialmente quando declinava a luz do dia, lhe permitia. Nem lhe serviam para ver de longe, que para isso tinha os olhos penetrantes, mas para ver de perto. Com aquilo ele podia ler manuscritos inscritos em letras bem finas, que até eu custava a decifrar. Explicara-me que, passando o homem da metade de sua vida, mesmo que sua vista tivesse sido sempre ótima, o olho se endurecia e relutava em adaptar a pupila, de modo que muitos sábios estavam mortos para a leitura e a escritura depois dos cinquenta anos. Grave dano para homens que poderiam dar o melhor de sua inteligência por muitos anos ainda. Por isso devia-se dar graças a Deus que alguém tivesse descoberto e fabricado aquele instrumento.
O Nome da Rosa - Umberto Eco

Comigo de tanto ler e trabalhar com computadores, sem proteção de tela - isto ainda do tempo dos monitores de fósforo verde, aliás, antes disso, aqueles microcomputadores ligado ao monitor de TV branca e preta - não teve jeito, acabei acelerando o processo de hipermetropia. Não acreditei que estava tendo indícios deste sintoma, já que sempre tive uma ótima visão. Dois anos atrás quase fui reprovado no exame de renovação da CNH no Detran-SP, porém eu tinha o plano B na bolsa - meu par de óculos "xing-ling" com 1º de hipermetropia para longe - tive que usá-lo para passar.
Como se não bastasse isso agora tenho que fazer o controle anual de prevenção de catarata - prevenção nada - na idade do crepúsculo ocular a catarata não perdoa, ela ataca mesmo, mas felizmente hoje em dia existem operações corretivas. Espero que a minha demore ainda bastante tempo para se desenvolver nos meus olhos.
Pois é, os anos passam para todos!

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...