quarta-feira, 2 de março de 2016

O riso | O Nome da Rosa - Umberto Eco

“Pergunto-me”, disse Guilherme, “por que sois tão contrário em pensar que Jesus jamais tenha rido, pois acho que o riso é bom remédio, como os banhos, para curar os humores e as outras afecções do corpo, em particular a melancolia.”

“Os banhos são boa coisa”, disse Jorge, “e o próprio Aquinate os aconselha para remover a tristeza, que pode ser má paixão, quando não está voltada para um mal que possa ser removido através da audácia. Os banhos restituem o equilíbrio dos humores. O riso sacode o corpo, deforma as linhas do rosto, torna o homem semelhante ao macaco.”
“Os macacos não riem, o riso é próprio do homem, é sinal de sua racionalidade”, disse Guilherme.
“Também a palavra é sinal da racionalidade humana e com a palavra se pode ofender a Deus. Nem tudo aquilo que é próprio do homem é necessariamente bom. O riso é sinal de estultice. Quem ri não acredita naquilo de que está rindo, mas tampouco o odeia. E portanto rir do mal significa não estar disposto a combatê-lo e rir do bem significa desconhecer a força com a qual o bem se difunde a si próprio”... disse Jorge.
Trecho retirado do livro “O Nome da Rosa” - Umberto Eco.

Achei interessante esta observação sobre o riso e Jesus Cristo em que Guilherme e Jorge discutem metodicamente este tema. Eu nunca havia pensando, ou lido qualquer passagem sobre o assunto – Jesus Cristo ria?

E você o que sabe, pensa, ou leu sobre a questão?

Leia o próximo post - O riso II | O Nome da Rosa - Umberto Eco

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